Transmetropolitan: é por estas merdas que leio Banda Desenhada

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É difícil descrever o que Transmetropolitan é. Cyberpunk chapado, mas essa era fácil. O cenário é claramente pós-tecno-qualquercoisa, e os acontecimentos baseados nesse universo são tão alucinantes que temos a certeza de já os ter visto, ou pelo menos algo parecido, num qualquer filme obscuro de ficção científica; só que em Transmetropolitan surgem num outro nível. Aliás, a questão é mesmo essa: níveis. Imensos níveis, uma quantidade ínfima de idiossincrasias que habitam o universo de Transmetropolitan, sempre a chafurdar no grotesco e na misantropia. Política, religião, ciência, filosofia e tecnologia são temas recorrentes, mas num nível – lá está o tal nível – peculiar. Todos os temas supracitados são elevados a um extremo quase inimaginável quando subvertidos pelo Homem. Em Transmetropolitan, por exemplo, é normal haver gente que tem sexo com máquinas e máquinas que são capazes de produzir as próprias drogas e consumi-las; há vacinas contra o cancro e chips temporários de protecção contra doenças endémicas; a nossa alma pode ser transferida para uma nuvem de nanobots e flutuarmos por ali como poeira ao vento e transformarmos-nos e criarmos o que quisermos (porque os nanobots são capazes de misturar os átomos certos para construir qualquer objecto). Há religiões criadas a partir de tudo e todos os tipos de perversões sexuais estão disponíveis (exceptuando a pedofilia, obviamente). Gatos com duas cabeças que fumam e querem ter relações com seres humanos, seres humanos que querem ser extraterrestes (daquele tipo magricelas de olhos pretos e grandes), pistolas laser que atacam a intestinália da vítima, podendo mesmo prolapsar. É um nunca mais acabar de fabulosa maluqueira, portanto.

Spider Jerusalem, o derradeiro jornalista (para o bem e para o mal)

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This morning I found a lump in my left testicle that sings ‘Twinkle twinkle little star’ over and over.

Alguém ao telefone com Spider Jerusalem

Também não é fácil descrever Jerusalem. Só um Universo como o de Transmetropolitan poderia parir um tipo assim. Lunático, sarcástico, misantropo, amante da escatologia e das drogas pesadas (principalmente das que só existem ali), leal a quem considera amigo e cruel a quem o trai, jornalista brilhante e fanático apenas por espalhar a Verdade. Nua e crua; quanto mais nua e crua melhor. Gosta que se indignem com ele, gosta que os leitores se nauseiem e vomitem com as suas palavras, por que a Verdade é mesmo assim: revoltante e, na maioria das vezes também, nojenta.

Journalism is just a gun. It’s only got one bullet in it, but if you aim right, that’s all you need. Aim it right, and you can blow a kneecap off the world…

Spider Jerusalem

Diz-se que Spider Jerusalem é baseado em Hunter S. Thompson, escritor e protagonista da epopeia Delírio em Las Vegas, e, tendo em conta as referências espalhadas discretamente por Transmetropolitan, diria que é uma suspeita mais que fundada.

Transmetropolitan, e Spider com ela, atiçam-me a imaginação e ocasionalmente fazem-me cair o queixo ou rir às gargalhadas. às vezes são as três ao mesmo tempo. Já outras obras dos mesmos mestres – Warren Ellis e Darick Robertson – me tinham fascinado e pregado ao ecrã do computador (sim, sim, sou pobrezinho e não posso comprar todas as edições em papel), mas nada como esta série. Obrigado Ellis e Robertson.

E você, meu leitor degenerado, posso não ser o Spider Jerusalem mas a Verdade está aqui toda e você já devia estar a pensar em como arranjar os 60 volumes da estória e comprar tudo a dobrar para me oferecer metade. Afinal de contas quem é que lhe mostrou isto, foda-se?

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