Breves considerações sobre futebol

Sporting, tanto de mau como de bom

andre-carrillo-sporting

Ainda não temos equipa. Existe ali qualquer coisa que nos permitiu fugir à catástrofe de uma (outrora provável) descida de divisão, mas equipa ainda não temos. Há fragmentos e esperanças de um futuro risonho espalhadas pelos vários sectores; uma ou duas certezas mas ainda muita gente que infelizmente está a mais no plantel. Livremo-nos deles, digo eu. Carrillo, Jéffren, Labyad, Boulahrouz e Rojo estão claramente em subrendimento – os primeiros porque querem, já que jogam nas suas posições básicas; o último convertido a central que só com Ilori ao lado conseguiu alguma (pouca) tranquilidade. Joãozinho e Miguel Lopes chegaram ao Sporting numa altura muito conturbada e deram (e dão) o que tinham. Sendo que as alternativas aos dois não estavam a cumprir não me posso queixar muito de nenhum. Todavia, não me parece que tenham o nível necessário para a equipa que o clube merece. Note-se ainda que tendo em conta o nível geral da equipa hoje em dia penso que estão claramente na média e, à falta de melhor fiquemos com eles, ora pois. Quanto a Wolkswinkel, tenho pena que saia desta maneira porque acredito que com uma equipa a sério por trás poderia render o que se esperava dele desde o início, ou muito mais. Não acredito que seja tão mau quanto às vezes parece.

A próxima época está aí à porta. Limpe-se primeiro a casa – como tem estado a acontecer – e haverá tempo para planear possíveis aquisições e regressos dos “exilados”. Aposte-se nos valores da casa – como tem estado a acontecer – e vamos ver no que dá. Temos treinador e presidente novos. Pior que esta época não pode correr.

Benfica, e a insustentável leveza do (quase) ser

FC PORTO - BENFICA 29 JORNADA LIGA  2012/13

A arrogância paga-se caro. Se desde o jogo com o Marítimo a lampionagem já andava com o pito aos saltos, o empate com o Estoril e a derrota no Dragão, vieram pôr as coisas noutra perspectiva. Uma perspectiva que não é estranha a nenhum lagarto que há uns anos sofreram inimagináveis tormentas às mãos dos benfiquistas: não bastava termos perdido três competições numa semana, ainda tivemos que levar com as bocas foleiras dos grunhos encarnados. Por isso, e só por isso, bem feito. Ainda podem ser campeões, obviamente, mas do cagaço já não se livram.

Mas também quem quer mesmo ser campeão nunca joga a “fiar-se no empate”. Jorge Jesus pode ser o messias que os benfiquistas dizem mas quanto a mim (e até agora não tive provas do contrário) é um burgesso que não tem capacidade para treinar um clube com a dimensão do Benfica. Na hora H tem tendência para falhar e ontem não foi excepção.

E concordo com Pinto da Costa. Tragam a taça da Liga Europa, mas a Taça de Portugal era bom que fosse para Guimarães. E o campeonato? Tanto se me dá. Já tive o meu regozijo e não sou cruel.

Sir Alex Ferguson, o prefixo não é por acaso

2011-Premier-League-Sir-Alex-Ferguson

Vinte e seis anos à frente do que muitos consideram (eu incluido) ser o maior clube do mundo. Não vale a pena discorrer sobre as estatísticas assombrosas de Ferguson, já todos as ouvimos dezenas de vezes. O que interessa aqui é que foi com ele – e Cantona – que me apaixonei pelos Red Devils há muitos anos atrás. Desde esse jogo que segui atentamente a carreira da equipa e do Sir e até agora só tenho motivos de “orgulho”. A palavra aparece entre aspas porque não sei se tenho orgulho no clube ou em mim por ter reconhecido a nobreza e o carácter do sempiterno manager do United e do símbolo que veste. Vinte e seis anos a treinar o mesmo emblema não é pêra doce. Vi como a equipa mudou do frio tacticismo de Roy Keane e companhia até ao festival anglo-latino da actualidade; a prova que mesmo um treinador muda a forma de pensar o jogo durante a carreira. Emocionei-me com a firmeza que agarrou Cristiano Ronaldo o mais que pôde e a classe com que bebia um bom vinho com Mourinho antes dos confrontos das suas equipas. O homem é de facto um senhor, um Sir, de pleno direito. Merece a estátua e todas as homenagens que lhe fizerem. Merece os aplausos de pé e as lágrimas dos adeptos. Merece sobretudo ser seguido e servir de inspiração a quem vem atrás, naquele clube ou noutro qualquer. Sai pela porta grande e, apesar das saudades que vai inevitavelmente deixar, espero que Moyes honre aquela cadeira. A herança é pesada, de facto.

Thank you Sir. For everything. God bless you.

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