Sem título nem conteúdo

Os olhos já não conhecem as linhas; os dedos já não conhecem as teclas. Emaranham-se e tropeçam uns nos outros. Há palavras que querem-precisam-gostam de sair e há tanto tempo que não o fazem que se habituaram a estar sozinhas no sótão de luz apagada e sem clarabóia que leve nesga de sol. Já nem se queixam, coitadas. As últimas que saíram foram disparadas contra papel e fechadas por capa escura ou em folhas digitais apagadas em lágrimas; saíram em lamento, raiva e auto-comiseração. Não é assim que as palavras devem ser lidas. Essas palavras devem ficar trancadas em locais escuros pois foi aí que nasceram e qualquer luz só vai fazer com que enegreçam ainda mais.

Todavia, as palavras que agora querem-precisam-gostam de sair não são assim. Não. Estas são palavras vulgares – pois que palavras muito brilhantes são para serem sussurradas ao ouvido ou em cartas perfumadas -, saídas de um espírito de luminosidade vulgar e estampadas num sítio vulgar. Do qual eu já sentia muito a falta, por acaso.

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