De fumador a vapeador: explorando o e-fumo

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Há toda uma aura de diz que disse à volta dos agora famosos cigarros electrónicos e isso incomoda-me um bocado.

Primeiro porque até ver a única razão de queixa que ouvi vem das tabaqueiras e lobbies associados; segundo porque a ignorância no seu geral incomoda-me. Antes de mais, deixe-me dizer-lhe uma coisa, fumante leitor: o cigarro electrónico não serve para largar o vício. É apenas uma forma mais saudável de introduzir nicotina no organismo, apesar de poder servir para alavancar gradualmente o desmame. E deixe-me dizer-lhe uma coisa também a si, saudável leitor: sou fumador militante mas no que toca à qualidade do fumo posso afirmar que sou um tanto ou quanto aristocrata. O preço é importante, claro, mas mais que isso é o modo como cada cigarro me satisfaz. Quando fumava tabaco em maço, nada se igualava a um SG Gigante. Nada. Depois, por força da economia e do desemprego, mudei-me para o artesanato e experimentei todas as marcas de tabaco, filtros e mortalhas para enrolar até chegar a uma fórmula que ainda hoje é responsável pela primeira dose de nicotina diária: mortalhas da Casa Havaneza, tabaco Amber Leaf e os filtros podem ser de qualquer marca desde que tenham 6 mm. Sou portanto o que se pode chamar de esquisitinho, é um facto, mas se ando a esturricar os pulmões tem de ser como eu quero e gosto.

Acontece que há uns meses comecei a ver malta com aqueles canudinhos estranhos de leds azuis a bafar umas merdas aromáticas. A primeira reacção foi de gozo, obviamente – um gajo não fumar por não ter lume é uma coisa, por não ter bateria é outra. Até que há umas semanas atrás, impelido pelas halitoses muito pouco apreciadas pelo belo sexo, comprei uma gerigonça e um frasquinho de líquido para vapear. Os primeiros bafos não foram agradáveis mas diz-se que o truque está na persistência. Resultado? Fumo um cigarro por dia e passo (muito bem) o resto com a dita gerigonça e os tais líquidos. As minhas necessidades de nicotinoides são satisfeitas, não há sensação de prisão peitoral de manhã nem qualquer tipo de tosse e sobretudo ninguém me manda mascar uma pastilha.

Agora estou prestes a passar para o nível intermediário do fumador electrónico. Há toda uma míriade de factores combinados na qualidade de se vapear um bom vapor e, tal como há uns anos atrás com o tabaco de enrolar, estou em plena exploração. Já sei que tipo de vapor gosto: aroma frutado, pouco propileno-glicol e muito glicerol, nicotina 12 mg/ml. Quanto à máquina (importantíssima na qualidade do vapor) também já descobri algumas coisinhas mas é uma parte demasiado técnica e obscura por enquanto.

Quanto aos benefícios/malefícios, segundo sei ninguém sabe. O fumo de cigarro parece demasiado malfazejo quando comparado com este tipo de vapor, todavia não deixo de estar a introduzir químicos num dos orgãos mais sensíveis do corpo humano. Fica à consideração de cada um.

Por fim, isto é apenas um testemunho muito simples e directo na primeira pessoa sobre a experiência de um e-fumador. Para mais esclarecimentos é pesquisar sobre a coisa e olhe qua já lhe dei umas pistas para começar (sim, estou a falar do propileno-glicol e do glicerol). Durante essa pesquisa ligue dois flitros para poder absorver a melhor informação: atenção aos interesses das tabaqueiras e dos governos que ainda não legislaram nem “impostificaram” a coisa e atenção aos histéricos que dizem “o cigarro electrónico mudou a minha vida” ou “até o Johnny Depp fuma desta merda“.

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