Cachimbo: bravo (e antigo) mundo novo

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Primeiro, claro, veio a curiosidade que normalmente dá em gato morto mas neste caso deu numa expedição fascinante. Depois de uma breve pesquisa a simples curiosidade virou intriga. Virgínias, Burleys, Cavendishes, Latakias e Periques, ervas demoníacas misturadas de várias formas e tratadas de diferentes maneiras, consoante a preferência, moda, estatuto social e até religião ( há religião no tabaco, veja-se o caso dos tabacos Presbyterian e Three Nuns, aha). Enfim, inúmeros mistérios se desenrolavam à minha frente e eu cada vez mais encantado. Não resistindo, comprei um cachimbo – uma peça barata de cerejeira com uma haste manhosa em acrílico, mas nada mau para começar – e o resto da parafernália, claro, tabaco, filtros de carvão e escovilhões .

Depois veio o grande desafio: acender o tabaco e não o cachimbo. Depois outro ainda maior: manter o tabaco aceso sem acender a língua. A teimosia persistiu e os desafios foram superados. Descobri, por exemplo, que os tabacos que os principiantes preferem são também os mais difíceis de manter acesos devido à elevada humidade dos aromáticos. Entretanto já adquiri mais uns quantos cachimbos, três de urze numa feira de velharias, um de maçaroca de milho e um outro de urze, novo, lindíssimo e de marca alemã (temos que contribuir para a economia dos tipos se não quem nos emprestará dinheiro, certo?). Gosto do cachimbo como objecto e estou ainda a descobri-lo como utensílio, já que muitas das suas diferentes formas implicam também diferentes maneiras de fumar e até diferentes tabacos.

E, tal como me tenho andado a encher de cachimbos, também tenho andado a experimentar diferentes tabacos. Como disse, começa-se pelos aromáticos. No meu caso, Skandinavik Aromatic Mixture, Borkum Riff Black Cavendish, Holland House Aromatic e Sail Black. Praticamente comprei tudo o que de novo encontrei nas tabacarias. Agora percebo que poucas diferenças há entre eles, mas há uns melhores que outros, obviamente. Além disso, toda a gente gosta do cheiro destes tabacos em chamas.

A ideia agora é trocar definitivamente o cigarro (analógico, que o electrónico há muito que está encostado e nem sei muito bem porquê) pelo cachimbo. Poupa-se o pulmão e retira-se mais prazer a partir do vício da nicotina. Mas para já é explorar os raros tabacos (em Portugal) de mistura não aromática sem a batota de essências adicionadas: Virgínias, Burleys, Cavendishes, Periques e Latakias em sintonia uns com os outros, ou sozinhos, ou os outros com os uns, tal e qual bons vinhos com as diferentes castas e amadurecimentos. É nesses tabacos, segundo leio, que acontece a verdadeira magia.

Depois logo se vê no que dá.

Imagem: Raoul Edmond Mettling, Cavaleiro Fumando Cachimbo, 1894 (pormenor)

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