Islamic State of Mind – Vive la France!

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Nietzsche matou Deus. Infelizmente não fez o mesmo com Alá. Com este Alá em particular, entenda-se, o Alá odioso, bélico, vingativo. Este Alá pode ser grande em tamanho, e ter tentáculos da Síria a Paris, mas é tão pequenino em sabedoria como uma ratazana pestilenta. Basta pensar que só por ter escrito a frase anterior posso muito bem ser alvo de uma fatwa porque devo ter violado a sharia umas quantas vezes; quer isto dizer, para os mais desentendidos na língua sarracena, que mereço a morte porque disse o que me vai na alma. Mas preste atenção o sunita leitor, provavelmente ainda dou outra trancada nessa tal de sharia. Vá apontando.

Este Alá é de facto uma ratazana pestilenta e nasceu simplesmente para acabar com a raça dos homens livres, nada a ver portanto com o seu parente afastado de nome semelhante que professava a fé pela misericórdia e amor ao próximo. Lembro que nós – ainda que agnóstico tenho que me incluir no mesmo saco – também já fomos assim como eles. Morte aos infiéis, Jerusalém é nossa, Maomé é um borra botas e mais não sei quê. O que nos safou enquanto civilização foi a morte de Deus e o nascimento da Razão e do Homem;

(Não deixa de ser paradoxal ter sido Nietzsche o inventor do bombista suicida com a frase “não sou homem, sou dinamite”, ahaha, que engraçado que eu sou)

por outro lado, estes sunitas do Estado Islâmico, ou ISIS, ou Daesh – parece que a cada semana lhe dão um nome diferente, mas chamemos-lhe Tozé agora, vá, – estes sunitas do Tozé, dizia, ficaram presos numa bolha temporal, onde estoirar com crucifixos ainda está na moda e um apedrejamento é como o picnicão do Tony Carreira todos os dias. Estão com atraso de 600 anos, os gajos, e parece que gostam.

(Vá, agora um parágrafo sério que a raiva já acalmou)

Claro, é uma luta ideológica que nenhum europeu vivo talvez compreenda na sua totalidade, exceptuando talvez a malta do West Ham United e do Millwall FC, que se odeiam militantemente há mais de cem anos. Felizmente já não estamos nesse patamar de fervor religioso e barbárie cultural. Não queremos saber se o nosso vizinho do primeiro esquerdo reza 3 vezes por dia virado para Meca ou vai à missa católica todos os domingos, ou se o senhor que vem contar a água está em período de ramadão ou é Ministro da Igreja Pastoral da Virgem Santíssima Bem Aparecida Nas Palhas Deitada com o Menino. Não queremos saber de Deus, nem de Alá, do bom ou do mau, e quem quiser saber de algum desses Gajos são contas do seu próprio rosário – ou fios do seu musallah – e ninguém tem nada a ver com isso. Nós, europeus do século XXI, europeus comuns, daqueles que vão à bola, ou jantar com a namorada, ou a um concerto numa qualquer sexta à noite, queremos viver como vivemos: numa Europa de liberdade conquistada ao longo de séculos de luta contra doutrinas religiosas e dogmas filosóficos; sobrevivente de guerras mundiais, de atrocidades avassaladoras e generosidades comoventes; de fronteiras livres e braços abertos para o resto do planeta. Ora e estes tipos do Tozé querem atacar isso porque não compreendem a nossa forma humanista e liberal de pensar tal como nós não compreendemos a maneira ultra-religiosa que rege as suas atitudes e discursos.

Podiam ter atacado parlamentos, bases militares, sedes de companhias petrolíferas, podiam ter atacado alguma coisa com significado estratégico para a guerra do Médio Oriente, mas não. Resolveram atacar o comum europeu enquanto se divertia e vivia uma noite tranquila. Esse comum europeu, hedonista e liberal, até pode ter perdido o contacto com a espiritualidade e cultura ancestral do seu povo, e até podemos de alguma maneira condenar – uma palavra muito forte, mas adiante – ou lamentar esse facto, mas o que eu não vejo é como raio é que balas de AK47 e cintos de explosivos vão fazer com que o comum europeu volte a essa espiritualidade e cultura histórica.

Imagem: O Triunfo da Morte, Pieter Brueghel, c. 1562 (para ver em pormenor é clicar na imagem. Veja que é bonito.)

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