E agora para algo completamente diferente: PS no Governo

Leibl_TheVillagePoliticial1877

Não é em qualquer lugar que um partido perde as eleições e chega ao Governo. Há que admirar este tipo de coisas. É como um eclipse milenar ou um alinhamento planetário. E tal como nesses casos, há que esperar que não seja o fim do mundo.

Não sou de direita, note-se. Considero-me bastante esquerdalho, todavia estas coisas confundem-me. Quando uma equipa de futebol termina o campeonato em primeiro lugar é suposto ser coroada campeã; é isso que se espera e mais nada. É assim que deve ser. Neste caso a equipa que terminou em primeiro – apesar da curta distância para o segundo – foi também coroada campeã para uma semana depois lhe ser retirado o título porque provavelmente já não vai jogar lá muito bem na próxima época. Basicamente foi isto que aconteceu, e para uma cabecinha tonta como a minha (e da vastíssima maioria dos portugueses), este paralelismo ajuda a compreender a situação.

Ora, este tipo de jigajogas só é possível num país onde o diálogo político começa e acaba nestas alianças de circunstância durante períodos eleitorais. Nunca se vê em Portugal um partido de esquerda aplaudir uma medida sugerida por um partido de direita, mesmo que o bom senso e a lógica nos diga que sim senhor, os reaças desta vez têm razão. O mesmo funciona ao contrário, obviamente, e ainda acrescentando acusações de demagogia.

É claro que as propostas da esquerda serão sempre demagógicas, porque o próprio socialismo assenta as suas bases em pressupostos demagógicos – antes de mais porque supõe que todo o socialista é o socialista perfeito, detentor de todos os valores morais e socialistas perfeitos, mas na verdade o que há mais para aí são socialistas bardamerdas.

E é claro também que as propostas de direita vão sempre na direcção da austeridade para com os trabalhadores e subserviência europeia simplesmente porque são uma cabada de betinhos que nunca sujaram as mãos com essa estranha coisa que é o trabalho. Ainda assim, a parte da subserviência europeia não estou certo que tenham inteira culpa – são contas de um rosário que começou a ser rezado ainda por Mário Soares, enquanto Presidente da República.

Ora, quero com isto tudo dizer que realmente só num país onde grassa a política com telhados de vidro e com muita pedra no chão é possível que estas coisas aconteçam. Se não fossem os políticos do faz de conta que são talvez encontrassem pontos comuns de interesse nacional, para o bem de todos debaixo desta bandeira, e tivéssemos um Governo de diálogo e entendimento ao invés de chegarmos ao triste ponto de previsibilidade republicana: o PSD e CDS nunca conseguiriam aprovar nada, mas nada, em Assembleia até eventualmente caírem do pedestal.

Nada na política portuguesa me surpreende. Até vou mais longe e aposto que muito brevemente vamos começar a ouvir falar outra vez de José Sócrates como candidato a um poleiro qualquer.

Todavia, e apesar de o cenário político português ser uma espécie de cruzamento trágico entre os Monty Python e David Lynch, vai ser giro ver como António Costa se vai manobrar por entre os dedos de Jerónimo e Catarina. Vai vai.

Imagem: Dorfpolitiker , Wilhelm Leibl, 1877

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