Feliz Natal e um presente do You Tube

•Dezembro 24, 2009 • Deixe um Comentário

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Tropecei por acaso – como se houvesse tropeções propositados – numa série de curtas metragens de animação criada para lá dos Montes Urais, num pequeno país conhecido como Rússia. Chama-se “Versus” e mostra o que seria um confronto entre duas personagens, umas conhecidas outras genéricas, outras fictícias umas reais, se alguma vez se tivessem encontrado. Podemos ver o que aconteceria se Harry Potter tivesse que lutar com Frodo Baggins, ou o que a Estátua da Liberdade faria ao Godzilla se se pudesse mexer, ou mesmo, espante-se, uma luta entre Pamela Anderson e Jennifer Lopez. Há mais, muitas mais, é só ir saltando de vídeo em vídeo e aposto que não se vai cansar.

João Pereira, o sapo engolido e quase digerido

•Dezembro 23, 2009 • Deixe um Comentário

Quando ouço dizer que o Sporting anda no mercado à procura de reforços tenho por hábito acender uma vela de 2 quilogramas a S. Agrícola de Avignon, protector contra o azar. Não quero de forma nenhuma proteger o possível reforço contra o interesse do Porto, como faz o Benfica, nem proteger o dito possível reforço contra alguma maleita catastrófica que o atinja. O que pretendo é proteger o Sporting contra o possível azar de o possível reforço afinal ser um marreta da pior espécie. “Quando há devoção, até um dente de cão irradia luz”, alguém muito sábio disse certo dia, e não seria a primeira vez que o Sporting compraria uma uma lebre a pensar que era um, vá, lince. Não me enganei, não senhor, para que quereria o Sporting comprar uma lebre quando precisa é de felinos com raça? Vêm-me à cabeça os nomes Wender, João Alves, Silva.

Detesto o João Pereira. Há aspectos da sua personalidade dentro de campo que me fazem vomitar. A expressão fair-play nunca entrou por aquele par de orelhas, com toda a certeza, e detesto gente sem o mínimo sentido de honra. No entanto há outros aspectos da sua personalidade que me fazem exultar de alegria pela sua contratação – apesar de o odiar visceralmente. Deixa a pele em campo e luta com unhas e dentes pelas cores que defende na altura do jogo. Passadas duas semanas pode jurar fidelidade a outra equipa qualquer, mas fica-se com a ideia de que quem tem João Pereira na folha de salários num dado momento, não tem apenas um nome quase genérico de um simples empregado, de um simples jogador de futebol, mas sim TODO um gajo que é homenzinho para comer nacos de relva se disso depender a vitória da sua equipa. Um verdadeiro leão, portanto, e com talento como cereja.

É um verdadeiro reforço na medida em que é melhor do que qualquer uma das alternativas existentes no plantel, e se o Sporting quer uma equipa tem que começar a gastar dinheiro como uma. Lá vou ter de engolir um sapo, mas antes um sapo com garra que uma lebre que não corre.

Olhando para cima

•Dezembro 20, 2009 • Deixe um Comentário

Primeiro: o analema do Sol.

Chama-se analema ao “caminho” desenhado pela posição do Sol no vários dias do ano. Como sabe o torcicólogico leitor, o Sol não percorre o mesmo caminho diariamente, desde o nascente ao poente, já que a órbita da Terra em torno do Astro-Rei é elíptica e de velocidade variável. Dai o analema ter a forma de um 8. A dar-se o caso de a a órbita da Terra ser completamente circular, a velocidade seria constante, e o analema seria um simples e tristonho ponto.

A imagem foi composta a partir de de várias fotografias tiradas entre 2005 e 2006 na Turquia, com o bónus de ter um eclipse total do Sol numa delas. Fonte: Astronomy Picture of the Day.

Segundo: O calhau que vai passar rés-vés Campo de Ourique

Dia 13 de Abril de 2029 baixe a cabeça porque pode apanhar com uma valente pedrada proveniente do espaço sideral. Chegou a pensar-se que o dito calhau, de nome Apophis, tinha 2 por cento de hipóteses de atingir a Terra na véspera de Natal de 2029, o que teria a sua piada, sobretudo se caísse em cima de um presépio humano, mas afinal parece que não. Diz que as hipóteses de ele nos acertar é 1 para 250.000 e é em Abril e não em Dezembro. Seja como for, vai passar tão pertinho de nós que quase vamos poder passar-lhe a mão pelo pêlo. Resta só dizer que o calhau em questão tem cerca de 274 metros de comprimento e, extinguir-nos talvez não consiga, mas é rapazinho para fazer um buraco jeitoso.

Aqui fica uma animação computorizada de como vai ser daqui a 20 anos: Link

Fonte: Wired Science

O Luís Miguel Oliveira sabe muito.

•Dezembro 18, 2009 • 2 Comentários

Sem duvida. Basta ler o seu artigo na diagonal para encontrarmos expressões como “frisson sensorial”, “comboio dos Lumière” e outras referências à história do cinema. O Luís é um gajo de elevada estatura intelectual, sem dúvida. O que não percebo é para onde estão apontadas as suas baterias de ódio cinéfilo. À maquinaria de Hollywood? A James Cameron, cujo pior filme como realizador é sem dúvida A Verdade da Mentira e não Avatar, como diz o douto crítico? Ao facto de o supracitado Avatar só ficar mesmo bom em 3D e por isso afinal é um filme mau? Ou o seu ódio visceral não tem nada a ver com Cameron e Pandora, mas sim com a dificuldade de realizar um remake tridimensional de Fanny och Alexander?

(Os close-ups do Bergman devem ficar assombrosos em 3D)

Não discordo totalmente dele, seja qual for o seu alvo. Hollywood por vezes enoja e é um facto comprovado que a recorrência à tecnologia 3D diminui os downloads ilegais e aumenta as receitas das salas de cinema. Mas vamos lá raciocinar como seres humanos que somos: nem tudo é mau em Hollywood, nem o 3D é o futuro absoluto do cinema. É um “checkpoint”, por assim dizer. A internet, principalmente a banda larga, fez com que seja mais fácil e mais barato ver filmes no conforto do lar. Agora, as produtoras arranjaram uma forma de ultrapassar as casas dos piratas tornando o cinema mais efusivo que nunca. Todos sabemos, pelo menos a malta da minha faixa etária, que o 3D não é novo: lembro-me que deixei a chupeta porque o meu pai me disse que o Monstro da Lagoa Negra lhe tinha mexido (tinha aí uns 3 anos e lembro-me perfeitamente da cena toda, já podem ver o trauma que tinha com o animal). Mas também sei que o 3D de há 30 anos não é o mesmo 3D de agora e que os óculos não são um incómodo assim tão grande, não podem ser, não há maneira de uns óculos de plástico serem incómodos. Também fico com dores de cabeça quando uso os óculos 3D, mas a experiência normalmente ultrapassa o sacrifício.

Na verdade, o que eu acho que Luís Miguel Oliveira quer dizer com aquelas 835 palavras (houve um comentador que tinha demasiado tempo livre) é que Avatar não é nenhum marco histórico do cinema porque ele mesmo já viu um programa na BBC que dizia que daqui a dez anos é que é. Ou seja, Avatar é um mau filme porque, apesar de Cameron ter criado um mundo inteiro de criaturas fantásticas e paisagens de tirar o fôlego, apesar de ter criado uma história com muito sentido nos tempos que correm, apesar de ter transformado um projecto com 14 anos na maior aventura cinematográfica desde o Senhor dos Anéis e Matrix, ele, Luís Miguel Oliveira, já está muito mais à frente que isso.

Link para o artigo original no Ípsilon

Fractalia, o novo anexo.

•Dezembro 18, 2009 • Deixe um Comentário

É com pouca pompa mas alguma circunstância que tenho o prazer de anunciar a criação de mais um apêndice deste vosso/nosso espaço. O Fractalia foi oficialmente aberto agora mesmo, enquanto o caro leitor lê este post – seguindo o advento da Web 3.0 -, e o que tem ele de tão especial? Fractais, ora bem. Não que eu ache que o Mundo precise de mais fractais, ou que o WordPress precise de mais blogs, mas achei por bem organizá-los ali naquele espaço, ou este que aqui se lhe apresenta ficaria inundado de imagens abstractas que não querem dizer absolutamente nada. Ide e vêde. Clique.

Ao cuidado dos Senhores do Mundo em Copenhaga:

•Dezembro 17, 2009 • 2 Comentários

Não sei o que terão os senhores conferencistas para discutir que demore tanto tempo e provoque tantos murros na mesa e voltares de costas. A questão que vos levou às gélidas terras da Escandinávia foi o aquecimento global e os seus efeitos no modo de vida humano. Andamos a escavar a nossa própria sepultura há 200 anos. Somos cada vez mais e, por conseguinte, com cada vez mais necessidades por suprir. Dois terços de nós vivem em condições deploráveis e incapazes de utilizar tecnologias não poluentes: quem irá dizer a uma mãe namibiana para não usar o gerador diesel que tem no quintal, a sua única fonte de energia, quando ninguém está disposto a trocá-lo por um moderno gerador eólico? Quem irá dizer ao dono de uma exploração de gado hondurenho que tem de fechar a quinta, que polui muito e que fartos de metano já nós estamos?

O vosso trabalho, caros conferencistas, não é um trabalho fácil, aliás, é até um trabalho bem penoso. É como tentar parar um comboio desgovernado numa descida, tendo em conta que muitos dos passageiros precisam de chegar à próxima paragem o mais depressa possível. Como disse no início, não sei o que têm de tão complicado para discutir, apenas posso imaginar, mas lembrem-se que precisamos de consensos. O Mundo precisa de consensos. Lembrem-se de um dos princípios básicos de uma das ideologias que nos trouxe a este ponto civilizacional, a Teoria dos Jogos de John Nash: encontrar estratégias racionais em situações em que o resultado depende não só da estratégia de um único agente e das condições do “jogo”, mas também das estratégias e dos objectivos dos outros agentes. A questão é que só se pode avançar cooperando. Portanto cooperem, se fizerem favor.

Eu sei, eu sei. Há lobbies, há interesses, há muito dinheiro preso aos vossos “sins” e “nãos”. Tenho para mim que é esse o mal maior entre todos os problemas que vos/nos afligem. E também é por isso que não estou muito confiante quanto a grande revoluções, ou evoluções, depois de Copenhaga. A fé na Humanidade já viu melhores dias, no que me diz respeito. No entanto, – uma no cravo e outra na ferradura, como se costuma dizer – o simples facto de 120 chefes de estado estarem na disposição discutirem as suas preocupações com o planeta Terra é, só por si, indício de um provável salto civilizacional. Desta vez não estão a ser discutidas guerras, arsenais nucleares, divisões de terra, nem sequer alianças. É o planeta Terra que está em cima da mesa, é um dos poucos factores que une todos os seres vivos do Mundo que está a ser discutido.

Notem que escrevi “indício” e “provável” numa fase lá em cima. Porque, tal como em todas as idiossincrasias humanas, tudo pode acontecer. Até pode acontecer que esta conferência seja apenas um golpe de marketing para sossegar os chatos dos ecologistas. Mas também pode acontecer que as preocupações sejam sinceras, que cooperem todos, que saiam de Copenhaga de braços dados e com acordos a sério capazes de fazer a diferença. A sério. Pode acontecer.

Devaneio Não-Euclidiano #1

•Dezembro 14, 2009 • Deixe um Comentário

Não é segredo para ninguém, exceptuando talvez para uma tribo tuaregue sem rede 3G, que nutro um fascínio desmesurado por fractais. Um fascínio quase tão desmesurado como a inaptidão natural para as matemáticas que os originam. A parte gira disto tudo é que para conseguir a intrincada rede de funções geométricas acima representada foi só preciso instalar um programa de 3 megabytes de tamanho e carregar nuns botões. Obviamente não vou revelar quais são esses botões; queriam a papinha toda feita, não? Só vos digo que o programa se chama Apophysys e deixa o anteriormente espectacular Tierazon a milhas de distância.

Nota: o fractal supracitado demorou 10 minutos a ser criado e 2 horas a renderizar nesta traineira a diesel da qual vos escrevo. Imaginem o que farão umas horas de criação e um foguetão.

O maior punheteiro musical: Dub FX

•Dezembro 10, 2009 • Deixe um Comentário

Chama-se Benjamin Stanford, normalmente tem como palco uma qualquer praça de qualquer cidade, e usa como único instrumento a sua própria voz sintetizada, trabalhada, por um processador de efeitos Roland, igual ao que qualquer guitarrista tem ou deseja. E é um punheteiro porquê? Ora, porque sozinho faz tudo: propaga o ritmo, estiliza a melodia e canta. Bem sei que isso não é nenhuma novidade, o Legendary Tiger Man é a prova viva disso, a questão é que o Benjamin, ou Dub FX, como é conhecido, usa somente a voz que os genes dos paizinhos lhe deram. Uns toques de beatbox, um pedal accionado em loop e temos um ritmo. Pontilha-se o ritmo com umas vozes em côro ou uns scratches e depois é só cantar por cima para a música ficar completa.

Não que o tipo seja um verdadeiro génio, ou faça alguma coisa antes impensável. O que admiro nele é o facto de ter conquistado a sua própria liberdade criativa às suas custas, só com a voz, um Roland e um sentido rítmico infalível. O estabelecimento de um território de perfeita liberdade criativa é o que todo e qualquer artista deseja. Há quem nunca chegue lá, há quem o consiga com muito suor e lágrimas, e depois há pessoas a quem esse território de liberdade criativa surge naturalmente, sem grande esforço, apenas com uma ideia simples e alguma dedicação e concentração. Parece-me que Dub FX pertence à última hipótese. Vede e ouvide. Link.

Publicidade Institucional: Ciclo de Cinema

•Dezembro 9, 2009 • 1 Comentário

O duelo entre os dois franciús continua depois com mais uma estocada de Godard, “O Desprezo”, no dia 19. Truffaut responde com “Beijos Roubados” e “Domicílio Conjugal” nos dias 26 e 2 respectivamente.

Salvando dragões e matando princesas

•Dezembro 9, 2009 • Deixe um Comentário

Continuo a surpreender-me quando fazem a pergunta “Dungeons o quê?” depois de alguém ter falado em Dungeons & Dragons. Não que toda a gente devesse experimentar, mas a estranheza de terceiros face ao conceito do jogo é ela própria estranha. Um jogo que completou recentemente 35 anos de existência merece ser reconhecido quando alguém o vê. Ora, enquanto em Portugal andava tudo de cravo no peito a desmantelar escritórios da PIDE/DGS, na América dos Estados Unidos dois cromos convictos inventaram o que mais tarde seria conhecido como o jogo do século, o primeiro jogo de interpretação de personagens, ou role-playing game, publicado da história. E o que raio é? Ninguém ganha e ninguém perde neste tipo de jogo, ou se preferirem, todos ganham uma dose significativa de divertimento, e todos perdem uma dose significativa de tempo. Cria-se uma personagem, humano, elfo, descendente de dragão, o que seja, que acontece ser guerreiro, feiticeiro, ou outra coisa qualquer, e aventuramo-nos por mundos imaginados saídos da cabeça e da boca de um individuo chamado Dungeon Master, que representa tudo o que não seja jogador. É uma espécie de Second Life por objectivos, do tempo em que os computadores eram estagiários da NASA, onde podemos ser os maiores heróis de todos os tempos ou tão vilões cujo nome faz tremer os virtuais habitantes daqueles mundos. Para ficarem com uma ideia da coisa, digamos que toda a epopeia do Senhor dos Anéis podia ter saído de umas centenas de sessões de Dungeons & Dragons se não tivesse nascido antes. É um jogo ilimitado onde as hipóteses só se esgotam quando se esgotar a imaginação.

Não é fácil de ser jogado. Só a criação de uma personagem tem mais estatísticas que os censos e mais nomes estranhos que a bula de um medicamento. Depois é só dizer “eu faço isto”, lançar o dado que representa o factor sorte, adicionar a nossa habilidade específica para o que estamos a fazer, comparar o resultado com um factor de dificuldade e obtemos sucesso ou um redundante fracasso. Isto tudo para representar acontecimentos como barcos voadores em queda livre, em que uma determinada personagem se agarra a uma corda suspensa de outro barco no preciso momento em que o barco em que seguia se despenha com grande estrondo no chão; ou se tentar acertar com uma flecha na enorme jugular de um dragão a 100 metros de distância; ou equilibrar-se no tejadilho de uma carroça em andamento enquanto se tenta limpar o sebo a um atlético vampiro.

A única coisa que lamento no jogo em si, e em tudo que gira à sua volta, é o departamento de vendas. Recentemente saiu a 4ª Edição do jogo. Quem tinha comprado os livros de regras e de aventuras de 3ª e 3.5, ficou outra vez apeado. Agora os livros não servem para nada e se quiser ficar up-to-date vai ter de gastar mais de 30 euros por livro outra vez. Tendo em conta que o indispensável para jogar é composto por três livros: Players Handbook, Dungeon Master Guide e Monsters Manual, são mais de 90 euros que saem da carteira. Felizmente ainda há torrents e PDFs.

Ora, um jogo com 35 anos, cuja construção e evolução depende dos próprios jogadores merecia um pouco mais de liberdade, de mais filosofia wiki do que departamentos de marketing e de vendas. Com trinta e cinco anos um gajo já merece respeito suficiente para não ser explorado. Dixit.